Obs.: Outro (grande Outro) é diferente de outro (com 'o' minúsculo, que é o semelhante, o outro especular). Essa é uma das "convenções" do discurso psicanalítico.
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Outro - função de miragem na qual o sujeito se reconhece.... como miragem e ficção. Cisão do sujeito. Em torno do qual o sujeito se constitui. Esse outro necessário para constituição do sjto, do seu saber de si. Na criança, quem oferece as imagens para sua constituição: o outro. Que depois coincide com o Outro. Lugar oferecido a partir das palavras, resta ao sjto se apropriar. Depois ele se retira desse lugar para não ser esse outro. Pólo de identificação - para que o sjto não se misture com esse outro. Nem sempre a mãe encarna a função do grande Outro (função da linguagem). A linguagem antecede o próprio cuidado.
Função da miragem - o outro semelhante, importância - olhar materno para o organismo do bebê. Ela, a mãe, não o vê tal qual um organismo... mas como um representante do seu desejo, portanto o vê em um outro lugar (lugar de falo - objeto a). Olhar da mãe projeta nessa tela uma imagem de filho. A tarefa da criança: tentar corresponder a essa imagem, se apropriando, se identificando a ela - identidade que é outra, não é ela... ela topa corresponder. Um nível de correspondência entre o sujeito e o sujeito ideal. Essa miragem que a mãe localiza (pensa no oasis no deserto - não existe) precisa ser avistada se não a criança permanece na condição de bebê feio, enrugado, gosmento...na condição de um tubinho de carne, tal qual se pode dizer o mero corpo.
Dissemetria entre o filho imaginário e o filho real. Todo objeto obtido nunca é o esperado. A criança e a mãe convivem com essa diferença: aí se dá a cisão. Tal discrepância faz com que a criança, ao se identificar com aquela imagem não seja toda a imagem (do olhar da mãe).
"A psicanálise não é uma egologia" (Lacan, crítica a Klein) - pasteurização da psicanálise pelos pós-freudianos, subversão daquele legado, atribuindo à psicanálise uma terapia do ego. Freud em O Id e o Ego dá uma importância grande ao Ego (a responsabilidade do Ego: intermediação entre mundo externo e interno; lugar da operação do recalque - defesas... localização do ego como reservatório da libido, distribuidor da economia libidinal - atribui ao Ego (cs e ics, instância egóica) importância ainda não antes vista. Diz Freud que a análise só se inicia a partir do Eu.)
Eu (em Freud, o Id e o Ego) - a parte do Id que no contato com a realidade se modificou. "Onde Isso era o Eu deve advir." O Eu é fruto da relação com o outro semelhante, relação imaginária com o outro. Mas não pode ser reduzido apenas a essa miragem ofertada pelo outro. Tem como matéria prima o Id - instância mais inacessível e mais primitiva do sujeito, sede das pulsões. O Eu tem uma comunicação, uma origem, que não tem nada a ver com essa relação identificatória com o outro.
Psicologia do Ego, reforçamento do Eu como sede das defesas. Essa análise se dá no Imaginário, a transferência fica imaginarizada. Preocupação com o analista, modelo de identificação.
Um análise em que se fala pro simbólico - transferência simbolicizada.
O ego para Lacan, é objeto imaginário. Lugar de desconhecimento de si mesmo.
Como o sjto tem notícia de sua pulsão? A partir de suas representações... palavra ou afeto (Freud).
Lacan: pelo significante ou significado.
Identidade de si, esse Eu, é lugar que ao invés de revelar a verdade do sujeito, mascara essa verdade. O lugar da verdade do sjto está alhures, em outro lugar.
O que se separa?
No campo do real - organismo
Imaginário - corpo.
Simbólico - sujeito.
Uma parte do organismo não é apropriada, nem pelo registro simbólico, nem pelo imaginário. Há algo que marca o sjto que é a inscrição nesse organismo que é o significante. O que é marcado não compreende toda a essência do ser. Esse resto, que escorre, nos coloca sempre nesse movimento de cisão. Real é td aquilo que não cessa de não se inscrever. Simbólico - td aquilo que não cessa de se inscrever.
Desejo é do campo do simbólico, que só se institui com a entrada do sjto no campo da linguagem, isso coloca o sjto em falta.
O simbólico é o que permite a existência do inconsciente.
Sjto se aliena pq não tem alternativa. Fato: bebê, filhote, necessitam ser cuidados. Alienação no outro. Recolhimento - acolhimento impõe ao pequeno um mínimo de alienação - submetido, assujeitado.
A interpretação que o outro materno faz das demandas desse corpo. Criança modula os choros. Esse vai-e-vém da alienação, sujeito supõe que sobre ele o saber está no outro. Alienação ao desejo do outro.
Separação será vivida, reconhecida, na sua travessia edípica.
Mãe fálica psicótica - a que sabe tudo. "A profissional do desejo" - Jerusalinski.
Desalienação no trabalho psicanalítico. Na sua relação com o imaginário, o sjto não deve estar preso a ele. Separação se dá qdo aquele que encarnou o Grande Outro, desencarne dessa posição - qdo a criança consiga diferenciar.
Psicose - o saber de si tá na mãe.
Psicose paranóica - o saber de si e também o saber sobre o mundo e os outros está nele.
Condições mínimas de subjetivação - recalcar. Oferecer que real, simbólico e imaginário se instalem e sejam reconhecidos.
Cisão subjetiva não está só no sjto a ser criado, mas no sjto que cria. O ics tá na mãe também. Elemento componente da subjetividade: insconsciente insiste. Repetição. E localiza essa noção como insistência da cadeia significante, isso que insiste no sjto, ele não tem alternativa. Qdo o sjto estranha a si mesmo nessa insistência revela algo do inconsciente.
Delírio - apreensão literal de tudo - não tem outro sentido.
O que é realidade é vivida para o sujeito como sempre psíquica. (Freud). Para o sujeito psicótico: realidade externa.
Ele vive do modo que ele apreende isso.
Fantasia neurótica (ser mais amado com servir o Outro).
Fantasia para suportar a vida.
Sjto de delírio: o outro permanece fora. Sofre a partir do outro, de fora.
Neurótico: outro que fala nele. Outro tá dentro. Sofre consigo mesmo.
Diferença entre tomar sujeito como coisa ou como causa. Exige trabalho analítico. Neurótico sempre tá nesse entre-muros. Ser causa de desejo ou coisa para satisfazer o outro.
Como se apropriar do seu desejo? Quem é que sabe qual o desejo do Outro? Ngm sabe, se supõe, do que o Outro precisa, do que o Outro padece. Sobre o desejo do Outro não há saber. Assim, se ocupa do próprio sintoma.
Desejo não tem sentido, a gente constrói o sentido. É metonímico. Quais os objetos que vem a representar aquilo que nele falta. Se ocupar do desejo do Outro é se ocupar de suposições do que falta no Outro.
A repetição é insistência de uma fala, que nos embaraça - movidos por necessidades. Repetição é relativa ao campo simbólico. Emerge no sjto como elementos significantes, simbólicos, que insistem no funcionamento desse sjto.
Matematização da Psicanálise - para que não se pudesse cair na tentação de subverter o sentido.
Freud ajuda o leitor a produzir o sentido. Construtiva. Acompanhamento do raciocínio para o leitor.
Lacan quer destituir o sentido. Aquilo que vc supunha que era não é mais. Se ocupa de desconstruir os conceitos pasteurizados, para que se construa um mais legítimo. Noções extraídas do seu contexto. Trabalho a mais do leitor, do estudante.
Ainda bem que a mãe é carente, pq se ela não carece o sjto não se constitui.
Escuta do próprio significante - tarefa do analista. O sjto tá imerso nos seus significados. Essa escuta literal só se dá no cenário analítico.
O sjto qdo trava o diálogo com outro supõe um entendimento, dois eixos da relação discursiva (X). Relação especular, eixo imaginário entre semelhantes = a e a´.
Toda idéia de que no curso do diálogo há univocidade, é atravessada pelo eixo simbólico - o eixo do equívoco.
Escuta literal é se deixar atravessar pela equivocidade significante - analista: provocador da equivocidade.
Lacan quer combater a idéia de que o analista compreende o discurso do outro. A idéia de permanecer no eixo imaginário, especular.
Tudo se faz para evitar a relação do eu a eu. A miragem imaginária. Tudo é feito para que tudo se apague de maneira dual. Naquele lugar do analista não outro semelhante, não há amor, nem escape. O lugar do analista tá vazio.
A intervenção deixa um furo no discurso, um espanto. O sjto se surpreende em si mesmo em sua certeza egóica.
"O homem é possuído pelo discurso da Lei (da castração) e é em nome desse discurso que ele se castiga, e não cessa de pagar com sua neurose" (Lacan)
Estar submetido a uma lei, interdição de ser ou de ter o objeto. A palavra mata a coisa.
Psicanálise - a ciência da linguagem habitada pelo sujeito. Para Freud, o homem é sjto preso e torturado pela linguagem. Essa relação do sjto com a linguagem que a psicanálise evidencia e busca tratar.
Ler Wittgenstein. ***
Psicanálise não é uma tradução.... pq o analista não sabe que pode fazer.
Ler: O Discurso de Roma e A instância da Letra.